Tempo
de luz
Eles
voltaram, seus olhos verdes
cintilam
fumaça como se incendiários fossem
Trouxeram
na alma o gosto de sangue,
na
mala pacotes de descaso e arrogância e
no
olhar, a frieza dos tristes destinos.
Apagaram
as luzes da praça,
espalharam
maldade
nas
cordas dos violões que
dedilhavam
canções e rebeldia.
Eles
querem ficar,
mas
haverá de nascer no coração
de
quem ama um novo esperançar,
um
brotar novo de querer ser feliz.
Eles
não vão ficar
Vai
chover luz, ternura
e
uma onda de amor encharcará
de
clamor a alma do povo.
O
vento levou
Se
você sentir saudades,
se
lembre de nossas pegadas
deixadas
na praia,
das
conchas que eu recolhi,
foram
tantas e que eu carinhosamente
deixei
no seu jardim
para
que nascesse pérolas.
Se
você sentir saudades,
se
lembre das madrugadas,
do
orvalho, do silêncio
e
daquele beijo serenado que
o
vento levou pra ti.
Se
você sentir saudades,
se
lembre de nossa canção,
do
meu cheiro e de quando,
deitados
no chão contávamos
as estrelas e viajávamos
no tempo da ilusão.
Viagem
Viajo
amanhã...
Vou
beijar o meu amor
enquanto
seus olhos de aura precisar
Aqui
deixo beijos rabiscados na janela
e na
varanda, deixo um broto
de
girassol para o Gael cuidar.
Leonardo
fica estudando
e
alimentando de carinho o nosso jardim.
Viajo
fazendo pontes,
um
jeito tucuju aqui,
um
olho de boto ali
e
assim viro flor de mururé.
Na mala
carrego a fé que me guia,
o
abraço apertado,
e uma
imensa saudade.
Quero
um tempo sem pressa,
como a
brisa de um feliz dia,
pois o
doce do amor
é uma
magia que se abriga em minha alma.
Viajo amanhã...
Um
barco
O
barco ainda me espera no
lugar
onde nos vimos
pela
última vez, naquela tarde triste,
coberta
pela neblina
e pela
nostálgica chuva fininha
que
caia, como se adivinhasse
que
ali começava um tempo
de
solidão e saudades.
O
trapiche ainda é o mesmo, mas
o
porto mudou de lugar, se encantou
Ficou triste
pelo seu adeus
e em
suas águas
eternizou
minhas saudades.
Hoje o
avistei de longe,
vi um
pássaro voando, o velho trapiche
se
reinventando e eu cheia
de
amor pra compartilhar
A
delicadeza me fez sentir que
o eterno mora dentro de mim.
Borboleta
Ter
coragem de voar
é
trazer no peito luz e ousadia
A
rebeldia que grita e sussurra,
se
veste de plumas e de leveza,
fazendo
a alma feito borboleta,
pousar
numa estrada de flores.
Ousar
colorir as estradas
com
as belas cores da jornada
é
florir o caminhar da viajante que,
neste
instante, se exala de amor.
No
voar da borboleta há infinita magia
que
faz a sonhadora se embebedar
de
orvalho que a madrugada deixou,
pincelando a própria alma
na calma de seus voos.
Rua
bonita
E
os ipês floresceram
e
caminham pelas ruas do Oiapoque,
bem
ao norte do Brasil.
Conversam
com quem por ali passa,
se
embalam dançam, cantam
e
espalham pétalas ao vento
É
apaixonante admirá-los,
beleza
e magia enchem meus olhos.
Quanta
ternura,
candura
inebriante.
Sagrados
ipês, abençoadas mãos
que
os plantam, abençoados olhos que
se
molham de emoção ao avista-los
Eu
os vejo como seres divinos,
numa
doce estação da esperança.
Folhas
As
folhas se espalham pelo chão
ao
sabor do vento,
vento
que dança, que envolve,
que
remove,
que leva pra longe a dor da solidão.
Folhas
nascem, amadurecem,
envelhecem
e enchem as calçadas
de
maciez e encanto.
No
canto dos quintais,
elas se fazem esperança
e em meio as andanças
fazem brotar outras infindas vidas.
Folhas
no chão, coração
e
emoção se entrelaçam,
se
enlaçam com fitas outonais
e eu
fico na janela esperando
o
inverno chegar como se tudo
fosse uma doce quimera.
Passageira
Sou
passageira num tempo finito,
mas a infinitude
é o farol
da
plenitude que em mim mora.
Moro
nas madrugadas,
meu
tempo é crepuscular
Sempre
que a tarde se vai a
poesia
vem me visitar.
Eu amo
o entardecer!
Perco
o meu olhar
nas
nuances de cores,
na
prece ao sol, no silêncio
que
vai abrindo caminho
em
meio a multidão...
Sou
passageira numa estação poética
com poemas
feitos de flores,
de pedras e de
amores
Sou passageira no trem da vida.
Leveza
As
borboletas conhecem
os
meus sonhos,
pousam
na estrada cheia de marcas
de
minhas velhas sandálias
Voam
quando sentem a proximidade
de uma
viajante sonhadora.
As
borboletas vivem os meus sonhos,
sonhos
de voar,
voar,
até a noite chegar
iluminada
pela lua.
É um
amanhecer de setembro
e eu
sonho que as borboletas vivem
dentro
de mim, respiram o meu ar,
pulsam
o meu sonhar
e
levam o meu coração até você.
Ah, lindas
borboletas!
Um dia
assim
Cai
uma lagrima,
uma
folha, uma nuvem,
uma
estrela...
Sublime
é a esperança
que
faz tudo renascer,
renasce
o sonho, brota a poesia
e
bromélias se enchem de pétalas.
As fendas
desbotadas procuram
a calma
de um farol distante.
O tempo
é dinâmico,
imenso
é o espaço,
mas o
amor abraça, entrelaça
e os
afetos acham graça
da
ilusão de se achar
que
estamos sozinhos.
Mãos fazem
carinhos,
a
primavera acontece,
a
nuvem brinca com meus sentimentos
e a
nossa estrela está ali dançando
diante da incredulidade humana.









