Depois da chuva eu olho pela janela do tempo e contemplo o jardim que minha mana Mara plantou pra mim... Saudades... Gratidão!

E lá vem...

Chão molhado,

coração encharcado de ternura,

um pássaro voa,

cai uma folha

e a terra bebe as gotas de chuva

que chegam de mansinho.

O céu escurece,

esquece das nuances cinzas

onde o bem te vi faz o seu ninho

e chama por seus filhotes.

Meus olhos se molham de gratidão,

mansidão, leveza, delicadeza

Quanto tempo ainda

vai precisar chover para

aquecer o coração de tantos... 

 

Numa tarde de um tempo infinito, entre um pingo de chuva e um raio de sol, uma irmã de luz me ofereceu  essa singeleza. Paz e luz para você!

Rio Araguari

Eu vi a tarde,

ela vinha macia,

jogando um pouquinho de seu

dourado sobre as pedras

e as pedras banhavam

a correnteza do rio Araguari.

Ameaçava chover,

mas as garças desconhecem

os perigos das grandes aguas,

se é que tem perigo.

As pedras voavam,

as garças nadavam

e o meu olhar era uma prece.

Eu vi a tarde,

a tarde me viu e no céu

de escuras nuvens

vi dançar um poema.

Eu vi a tarde,

ela era um botão

Eu vi os amanheceres

e eles já eram flores.  


O rio Araguari está lá embaixo,  correndo inexoravelmente, entre pedras, peixes e garças. Eu sou prece, gratidão e deslumbramento...

Você já ouviu falar no Rio Jari? Que liga o Estado do Amapá ao Estado do Pará? Eis um pedacinho de suas ribanceiras...
 

 

Flores

Que singeleza! Que beleza!

A natureza encanta,

canta e quem planta

enche os olhos de ternura.

As flores brotam, desabrocham

e fazem nascer jardins

nos olhos meus.

Nesses tempos

de tantos desalentos,

as flores transbordam,

bordam a imensidão de um tempo,

tão efêmero, diáfano,

capaz de fazer brilhar

e perfumar as estrelas da alma.

Nesta manhã de domingo, ofereço esta flor para você! Que ela perfume o seu olhar, encha de ternura sua alma e aumente em você a crença de que o nosso planeta, também é um jardim. Beijos no coração!


 

Lasca de um poema

Te procurei em algum lugar do infinito,

te encontrei,

mas você sumiu entre os verso do Neruda,

te procurei, não te encontrei

e sentei nas tabuas soltas

de um velho trapiche.

Chorei...

O grande rio colocou em minhas mãos

um lenço que cheirava a jasmim,

o jasmim de nossas saudades.

Bebi a tarde que tinha o sabor

de um gostoso café.

Indo embora, o velho e encantado trapiche

me abraçou, me entregou uma lasca de sonho,

um poema feito de água

e a singeleza de um novo caminhar.