Em cada pétala um segredo, em cada segredo uma saudade e nas saudades, imensos amores. Gratidão, Francisca Maciel, por lembrar que amo os ipês. 

Rua bonita

E os ipês floresceram

e caminham pelas ruas do Oiapoque,

bem ao norte do Brasil.

Conversam com quem por ali passa,

se embalam dançam, cantam

e espalham pétalas ao vento

É apaixonante admirá-los,

beleza e magia enchem meus olhos.

Quanta ternura,

candura inebriante.

Sagrados ipês, abençoadas mãos

que os plantam, abençoados olhos que

se molham de emoção ao avista-los

Eu os vejo como seres divinos,

numa doce estação da esperança.



 E a terra ganha um mágico tapete! folhas, folhas, folhas... uma gostosura caminhar descalça sobre elas. Bençãos outonais para você que comigo caminha sobre as folhas secas.

Folhas

As folhas se espalham pelo chão

ao sabor do vento,

vento que dança, que envolve,

que remove,

que leva pra longe a dor da solidão.

Folhas nascem, amadurecem,

envelhecem e enchem as calçadas

de maciez e encanto.

No canto dos quintais,

elas se fazem esperança

 e em meio as andanças

fazem brotar outras infindas vidas.

Folhas no chão, coração

e emoção se entrelaçam,

se enlaçam com fitas outonais

e eu fico na janela esperando

o inverno chegar como se tudo

fosse uma doce quimera. 

Mas um dia que me diz adeus! Todos os sentimentos se misturam, nostalgia, alegria, gratidão, saudades...
 

Passageira

Sou passageira num tempo finito,

mas a infinitude é o farol

da plenitude que em mim mora.

Moro nas madrugadas,

meu tempo é crepuscular

Sempre que a tarde se vai a

poesia vem me visitar.

Eu amo o entardecer!

Perco o meu olhar

nas nuances de cores,

na prece ao sol, no silêncio

que vai abrindo caminho

em meio a multidão...

Sou passageira numa estação poética

com poemas feitos de flores,

de pedras e de amores

Sou passageira no trem da vida. 

Minha mandala de acolher borboletas. Numa tarde de junho, em algum lugar desse planeta eu acolhi borboletas, pesquei alegria, utopias e o infinito que mora nos seus olhos.
 

 

Leveza

As borboletas conhecem

os meus sonhos,

pousam na estrada cheia de marcas

de minhas velhas sandálias

Voam quando sentem a proximidade

de uma viajante sonhadora.

As borboletas vivem os meus sonhos,

sonhos de voar,

voar, até a noite chegar

iluminada pela lua.

É um amanhecer de setembro

e eu sonho que as borboletas vivem

dentro de mim, respiram o meu ar,

pulsam o meu sonhar

e levam o meu coração até você.

Ah, lindas borboletas!

Eu amo o creúusculo! o horizonte se adorna em diferentes cores. A saudade aperta no peito e o pranto é de felicidade. E assim os dias vão passando... Gratidão Leila Sousa Rodrigues, pela linda imagem!
 

Um dia assim

Cai uma lagrima,

uma folha, uma nuvem,

uma estrela...

Sublime é a esperança

que faz tudo renascer,

renasce o sonho, brota a poesia

e bromélias se enchem de pétalas.

As fendas desbotadas procuram

a calma de um farol distante.

O tempo é dinâmico,

imenso é o espaço,

mas o amor abraça, entrelaça

e os afetos acham graça

da ilusão de se achar

que estamos sozinhos.

Mãos fazem carinhos,

a primavera acontece,

a nuvem brinca com meus sentimentos

e a nossa estrela está ali dançando

diante da incredulidade humana. 

O crepusculo anda por dentro de mim. Meus pés calçados de areia celebram o entardecer e o meu coração voa, voa a procura das gaivotas sonhadoras.
 

Por dentro de mim

Vivo dentro da lua,

vivo misturada com o mar,

debaixo das estrelas durmo abraçada

com lençóis salpicados da doçura do mar.

Vivo dentro de muitas pessoas,

de lembranças aquecidas,

de memórias perdidas,

vivo pra te amar.

Ainda sinto a brisa daquela tarde,

quando ao anoitecer você sumiu

no frio do horizonte.

Te espero quando o dia amanhecer.

Minhas tristezas molhei no mar, viraram espumas viajantes.  Abri um sorriso e voei com o vento. Gratidão à beleza de apreciar a plenitude da Vida! paz e bem a você que viaja comigo por esse infinito!
 

Manhã de maio 

Tudo brilha,

as lindas memorias solto ao vento,

o que ontem não foi luz

guardo no baú de velhas lembranças.

No meu corpo se fortalece as marcas de amor.

Tudo brilha nas diferentes cores verdes

que vejo pela fresta

da janela da sala.

O sol lentamente vai secando

o orvalho que a madrugada

deixou nas folhas das roseiras.

E agora vejo uma gaivota brincando

com leveza neste céu azul

Tudo brilha... 

Sonhar é voar, é navegar, é trazer o horizonte para o infinito do olhar... Paz e bem!



 

O fluir dos sonhos

Parei para olhar dentro dos meus olhos,

vi que o tempo passou

que minha alma

sangrou tantas vezes,

mas que ainda sou a menina

que sonhou e lutou

por um mundo bonito,

criado com beleza, poesia

e pão partilhado.

Cantei Corsário, Coração selvagem,

Como nossos pais, Apesar de você...

folheei meus livros, escutei meu coração

e tenho a compreensão de que

nada foi em vão.

Eu ainda sou uma sonhadora

A nossa canção

ainda embala os sonhos meus. 


Vivenciar com serenidade o que a vida tem a me oferecer é a minha lição de todos os dias. Acolho as gostosuras e as dores da caminhada sentindo que as divindades comigo caminham... Carinhoso abraço a você que comigo compartilha esse imenso universo.

 

Outro balanço

Amo meu velho balanço

amarrado com cordas distantes,

embaixo da frondosa mangueira que

tantas vezes escutou nossas histórias,

que amadureceu beijos e inocências.

Aqui choro, aqui canto,

aqui espero você voltar do mundo das saudades,

naquela nuvem brilhante e travessa

das tardes de julho que tanto me encanta.

Como demoras voltar!

Os frutos já estão maduros,

mas a tua partida sem nenhum adeus

ainda dói em mim, vem cantar pra mim,

já te espero sorrindo, vem...

Na leveza do tempo corre a verve da vida! É palidez, é silêncio gerando esperança. alimentando almas, alimentando sonhos.

 

 

Silenciar

Eu moro dentro do meu silencio

Ele é crepuscular

Ele é pintado de auroras.

O amanhecer e o entardecer

moram numa caixa de segredos

com laços vermelhos.

É no silêncio que eu me escuto,

é no silêncio que me faço versos,

nele eu me refaço.

É no silêncio que eu danço contigo

minha eternidade

É no silêncio que teço minhas saudades

e bordo as cirandas de minha vida.


 O entardecer me presenteia com uma tela encantada. Minha amada Amazônia. Sagrada tarde, sagrado universo. Gratidão aos deuses e deusas da agua.

Memórias vividas

Caminhei por belas estradas,

floridas, perfumadas,

tomadas por ávidos e belos sonhos

Caminhei, carreguei faróis,

dancei cirandas, toquei suas mãos,

o vi de perto, mesmo assim

te deixei sumir sobre o brilho da lua

e vazias promessas.

Nossa estrela guardada a sete chaves,

Encandeceu, fez uma fenda, saiu,

perdeu seu brilho,

descosturou uma história,

outras histórias escreveu entre

estrelas e contos de fadas.

Eu ainda tenho aquele cristal

e guardo no baú de meus sonhos. 

Foi assim, a noite chegando, o horizonte se pinta de diversas cores e o coração se aconchega no portal chamado saudades...
 

 

Flor ao vento 

Sublime tempo

Necessário semear esperança

para que o tempo de ternura

e de bonança não tarde chegar.

Tempo de espera,

se ficar olhando na janela

jogue amor ao vento.

Tempo de me vestir de luz,

meus vestidos de água,

agora estão salpicados de estradas

e versos colhidos na canção.

Tempo de esperar o inverno passar,

colher o trigo,

fazer o pão e num gesto de compaixão

compartilhar com o irmão

que já perdeu o sabor da esperança

e o cheiro gostoso de amar.

Sublime tempo...

Linda essa Amorinha! Era minha companheira de todas as manhãs. Uma doçura de criatura. Caçadora...  Agora corre em outros quintais, habita outra casa...
 

Um amor de nome Amora

Não somos donos de nada,

nem das árvores,

nem da chuva fina,

nem do entardecer solitário,

nem da saudade que dói no peito.

Como fios de uma única teia,

estamos juntos

nessa nave chamada terra,

nesse imenso universo.

A Amora também não é nossa...

O quintal está triste ou triste estou eu?

Cadê a Amora travessa,

a Amora carinhosa que ama

um cafuné na cabeça,

que como criança corre sem cansar,

mas de repente cansou,

murchou, adoeceu...

Nossa eterna cachorrinha

nos disse adeus, se foi...

Que triste! Como dói!

Amora, agora você

está em liberdade,

correndo entre flores e amoreiras,

e esse jardim é todo seu,

minha branquinha amada!

Hoje, sua casa amanheceu escura

e o quintal é um doce silêncio...


Se correr riscos se faz necessário para ser feliz, então umbora,,,
 

 De riscos e pérolas

Se viver é correr riscos,

me arrisco.... 

a me balançar sem medo de cair,

a dançar sem temer a timidez,

a cantar, sem barulhar o silêncio,

a caminhar sem deixar de escutar o uivo do vento.

Ao me espiritualizar,

deixo Deus fazer em mim morada

e consagro o sagrado sem medo de sangrar.

Me arrisco a admirar toda a divina beleza

que se põe diante de meu olhar

e ponho meu corpo a se movimentar

na dinâmica da vida, 

deixando a felicidade calçar os chinelos meus.



Voltei... trouxe para você um amanhecer da esperança. O sol de um dezembro qualquer. Paz e bem para você que ama os amanheceres...

Eterno hoje

Hoje, deixo no seu sono

minha imagem escrita em poemas,

para que ninguém descubra

o nosso segredo guardado na alma.

Hoje e eternamente

deixo em sua mão esquerda,

um pergaminho e uma rosa

para que você não se esqueça

de quando andávamos procurando

um sol, no escuro

da noite sem sonhos.

Hoje espalho sementes de girassóis

no seu caminhar

e em cada pegada sua

deixo lírios amarelos

e um beijo transbordando ternura.

Ah, que saudade! 


Sinta comigo a gratidão das plantas com a chuva, depois de um longo tempo de seca. Paz e bem para você neste dia de chuva e bençãos!

Inverno

E chegou o inverno,

o barulho da chuva no telhado

me levou para um tempo perfumado,

quando eu catava gotas que

escorregavam pela folha do açaizeiro

e dizia que eram cristais.

Hoje amanheceu chovendo,

senti o cheiro de terra molhada,

ouvi o balançar das folhas das mangueiras

e era só gratidão.

O cheiro do jasmim invadiu meus lençóis,

levantei e apreciei o céu

em sua cor cinza pálida

e ouvi o respirar da terra se

embebedando de vida.

E ainda chove... 


Eu deixo a paz entrar no meu coração! Que neste domingo de luz, a paz possa estar no seu coração, também, suavizando dores e sofrimentos. Paz e bem!

Bem querer

Em tempos de nostalgias,

olho pela fenda da janela e todo o horizonte

vem me abraçar,

o infinito toca minhas mãos com ternura,

os jardins derramam essências

cheirosas nos meus caminhos

e as andorinhas comigo

compartilham asas e voos.

Em tempos de nostalgias

o universo me abençoa,

a poesia me afaga

e a espiritualidade de luz me acalma.

Assim, continuo a caminhada,

a estrada recebe as sementes

que eu planto com amor.

Em tempos de nostalgias,

É possível viver com alegria,

com magia e com bem querer. 

Pra onde ir quando em uma encruzilhada tudo parece infinitamente infinito? Se ando tropeço, se fico parada crio asas. E assim, sigo as gaivotas... Paz e bem para você que também ama voar!
 

Uma encruzilhada

O orvalho molhou

minha réstia de sono

O cheiro de terra invadiu as sandálias

do tempo e a estrada caminhou

por entre meus versos.

Na esquina eu parei,

confusas encruzilhadas

Meu vestido de chita,

meio encardido e quase rasgado

se bordou de Dálias

e begônias azuladas

Tempo, estrada, desencontros

acarinham os dedos meus... 

Me visto de água, de pedras e de horizontes. A brisa me traz os amores de longe. A beleza da mãe terra em mim deixa suas marcas de ternura. Gratidão meu mano Claudio Rodrigues pela sensibilidade ao fotografar.
 

Gotas de mim

Um pouco de mim é carne,

outro pouco água em abundância,

sou poesia pela metade,

sou tristeza em fins de tarde.

Sou terra, sou mar,

sou marco entre vida e morte,

sou farol em minha luz,

sou luz nas trevas de meus olhos.

Sou fenda que vê longe,

sou o longe que traz o horizonte

Sou assim, finitude e eternidade

Sou candura e pecado. 

 
E por falar em ancestralidade, esta linda imagem, capitada pelas mãos do Floriano Lima é da Comunidade Quilombola do Curiau. Lugar de resistência, tanto no passado como no presente. Lá, a beleza é deslumbrante, onde o olhar se perde entre o voo das garças e a poesia... Gratidão, Floriano!
 

De onde eu vim

Minha ancestralidade

tem cheiro, tem cor, tem história,

tem memoria, tem som de

passos cansados, tem olhar de fé,

tem vestido rasgado, costurado

com os fios do tempo.

Minha ancestralidade tem inteireza,

vida compartilhada

com tantas outras vidas,

tem simplicidade, tem complexidade,

tem cheiro de rio,

tem sabor de buriti,

gostosura de açaí

e a  beleza da flor do mururé.

Minha ancestralidade caminha

com os meus pés

e os meus olhos se perdem

em vivas lembranças. 


Uma maloca, um velho trapiche encantado... Um rio e um doce silêncio que acalma a alma... 

 

Na esquina do silêncio

Aqui tudo é silêncio,

tudo respira, tudo fala,

tudo sonha

Na correnteza do rio tudo dança,

leva e traz harmonia e paz.

Estou aqui cercada de brisa,

cercada de um silêncio que canta

À sombra dos açaizais

eu refaço os meus laços

e a ternura me abraça

E o rio corre inexoravelmente,

contando suas histórias,

encantando memórias

e coexistindo na inteireza da vida.

Eu amo o silêncio...

Quando a linearidade não me satisfaz eu reinvento... Bençãos e luz para você!
 Quando

O voo da gaivota

Eu vim...

Carreguei no coração a imagem

do seu lindo rostinho

Vim e trouxe na alma

a saudade da brisa do rio amado.

A concha planetária me abraçou

e a inteireza coloriu os meus olhos.

Agua vida, céu mistério,

terra fecunda, mãe amada

e a gaivota circunda o vento.

Já de longe vejo minha gente,

cansaço e esperança,

angustia e plenitude

Vejo Deus no arco íris encantado.