Na falta das palavras as paisagens falam... Desenham aquarelas, remexem os sentimentos, fazem do silêncio um portal de saudades e testemunham uma beleza feita de simplicidade...
Flor de mandacaru
Vi a terra partida em frangalhos,
ressequida, dilacerada
Arrancado de seu ventre os brotos secos morrem,
os peitos se esvaziam de sonhos,
de sonhos sem saciedade numa sociedade
que sangra sem sangue e que sangue lava a
 doçura de um chão orvalhado.
No meio da sequidão um grão brota,
um sonho se solta
e salta a chama da esperança.
Um grito de liberdade ecoa pela cidade
e entre as quebraduras da terra
nasce uma flor quase amarela,
uma flor de mandacaru... 
Foi o silêncio das ondas turbulentas do rio Amazonas que trouxe esse tronco pra mim. Cheiinho de poesia, de cores e de maresias que o horizonte é capaz de me dar...
Uma flor na calçada
Chega de silencio...
Quero que o botão se abra em flor,
que a pétala se derrame amor,
que o silencio converse com a minha voz.
Chega do silencio que se espalha pelo chão,
que esmaga a canção que sumiu dentro de minha voz
e toca a flor amarela que docemente dorme na calçada
orvalhada de solidão e saudade.
         Que venha o silêncio das pegadas entre a areia e o mar,
          entre o voo e a andorinha,  entre as ondas e os céus azuis
          e na minha voz distante, chamegantes amanhas
           colhem a flor rosa que brinca na calçada.
Boa tarde!!!!
Para você que continua alimentando de carinho este nosso canto de Amor, mesmo eu estando ausente, o meu muito obrigado!
Fiz uma cirurgia e estou me recuperando. Logo estarei postando novamente.
Deixo aqui a minha gratidão e ternura!
Era uma tarde
Era tarde de um julho, ensolarada,
linda tarde!
Um convite para apreciar a imensidão do nada,
um nada azul violeta.
Naquele trapiche feito de silencio
eu vi o mar murmurando,
a brisa cantando
e as gaivotas circulando os meus sonhos.
Você se foi sem nunca ter chegado,
sem nunca ter tocado os meus cabelos
molhados de saudades.
A tarde chega sorrindo e eu aqui
bordando o mistério crepuscular.
Era uma tarde de julho...
Sabe quando a tarde vai lentamente desaparecendo no horizonte? O coração se enche de um sentimento que nem sei descrever, mas sei que a alma se encharca de belezas e saudades... e quando isso acontece procuro o meu refugio, meu lindo rio. Nós nos entendemos no silêncio...
Depois do jardim
Teus olhos escureceram,
teu brilho se recolheu,
no apogeu do dia uma gota de chuva
se pendura no varal de teu pensamento.
A gaivota sumiu
entre os infinitos singelos,
na janela vazia surge o Crisântemo azul
e depois do jardim
a perenidade se bebe
no bico da beija flor.
Teus olhos claros escuros me sorriem
pela fresta do tempo... 
Veja como cresce minhas orquídeas! Todos os dias converso com elas e elas respondem se mostrando mais belas...Não sei se elas compreendem as palavras que falo, mas sei que sentem o meu toque, os meus gestos de ternura... Bom dia amigxs de perto e de longe!
Tempo de delicadeza
E o verso nasceu entre uma gota
e outra de orvalho,
entre a asa e o gosto de voar,
entre a brisa e o aquecer do girassol,
entre a palidez da chuva
e as vivas cores do arco íris.
De verso em verso brotou um poema
e eu o pousei no varal molhado de solidão,
bem pra além da minha janela.
Do poema eu fiz um canto,
uma jura de amor,
um tempo de delicadezas
e emoldurei na parede de meus sonhos.
Quando tudo pede um pouco mais de calma, vêm os netos e serenizam a minha existência! Eu e meu companheiro temos hoje, como missão,brincar com nossos netos...
     Entre galhos
Balança sozinha
a sua beleza feita de brisa,
bebe de sua solidão e na imensidão colorida
da tarde exibe ao tempo
suas pétalas amarelas de saudade.
Balança a sua solidão,
exibe ao infinito seus bonitos botões
respingado de orvalho,
por entre galhos de outras gerações.
Bendito sabiá que não para de cantar
a sinfonia de outra história
Bendito beija flor que espalha amor
pelo imenso espaço, como astro beijador
sabe que toda flor guarda em si um novo desabrochar,
um outro jardim
e benévolas borboletas a voar...
Ha tempo eu venho aprendendo que não existe certeza. Que as coisas podem não ser do jeito que olhamos. Que a vida é simples e complexa. Que a linearidade não nos ajuda a reinventar o mundo...
Chuvas de inverno
Chuva, chuva...
chove sonhos, sonhos que
molham o tempo que neste momento
não sei onde está.
Chove um som gostoso sobre
o telhado quebrado...
 Acordo ouvindo as memórias
do passado, viro para o lado
 e vejo corpos pequeninos enrolados
em velhos e macios lençóis.
Chuva lava os meus olhos
Que já não suportam tamanha saudade.
Ha momentos de pureza inesquecíveis... São os instantes que deixamos que Deus penetre nossa alma e nos transforme em seres mais humildes, em seres que se deixam cativar pela grandeza de ser apenas mais um fio na imensa Teia da Vida...
Um olhar de gratidão
Graças a Deus...
 Que hoje o sol reapareceu,
bebeu o orvalho frio,
aqueceu os lírios floridos, enxugou
o pranto dos campos molhados de dor.
Graças a Deus que ontem choveu,
molhando as margaridas franzidas
de espera, de ouras quimera
e de ousadas esperanças.
Graças a Deus pela chuva que caiu,
pelo girassol que se abriu,
pelos pássaros que voltaram
à seus ninhos agora aquecidos, todos floridos,
feitos para o amor...
Um dia  de encontro com os meus ancestrais. A Fortaleza de São José de Macapá é a memória viva da brutalidade humana. Mas hoje é um portal sagrado da poesia. Um lugar onde repousa a minha espiritualidade...
Tudo no seu lugar
Há dança no céu,
no imenso espaço asas inquietantes
celebram todos os encontros
num dia de poucas cores.
Por onde anda o meu amor?
Virou flor em algum jardim,
virou poema num livro qualquer
na casa de Neruda
Se fez o frio que me acolhe
num velho cobertor...
Onde está o céu?
Num pontinho perdido no infinito horizonte
Bem aqui defronte de minha janela,
na rosa que outro dia coloquei na lapela
de teu surrado blusão
feito de flores e de silêncios...
Este céu colorido, esta sombra repousante, este silêncio que acolhe o meu espirito e fortalece minha esperança em cada amanhecer...
Nalgumas madrugadas
Chega a madrugada...
Meus olhos sem sono
procuram o teclado do computador
para esvaziar o peito,
para celebrar o raiar
do amanhecer que logo desponta.
 É nas madrugadas que as palavras acordam,
que os pássaros dão seus primeiros acordes
A lua branca beija a minha insônia,
 molha de fantasia os meus pensamentos.
Os céus ainda sonolentos
despertam os anjos crianças
e esses, correm dentro de mim
como se num jardim eu gerasse suas sementes
Sementes de amor...
Sempre penso que posso abrir meus próprios caminhos. Que posso aquarelar os meus horizontes. Que posso inventar sorrisos. Que posso amar infinitamente. que posso ser feliz...
Ousadia dos caminhos
Sou caminhante nos caminhos da vida,
andante de outras estradas,
andarilha de sonhos
num tempo empoeirado
e em galáxias amantes do nada.
Turbilhões de horizontes
grudam em meus chinelos feitos de vento
Caminhos e caminhante se misturam,
se revezam na finitude da memoria,
mas as curvas anunciam
os intrépidos sons de uma cavalgada.
Bem aventurados sejam os ousados
que não se dobram aos caminhos prontos...
Boa noite para você que passeia por aqui! Que as rosas perfumemos seus travesseiros e lhe proporcione belos sonhos...
Bem longe daqui
Pétalas rosadas caem dos céus,
se acomodam na velha calçada do cais
que testemunha a minha silenciosa espera.
O alto muro
ampara meus braços molhados de brisa
e as estrelas se agasalham
no jardim dos meus olhos.
As espumas do mar
que se quebram nas pedras, aninham
a saudade que dói na alma do velho farol.
 E as pétalas de rosas continuam caindo
e o mar bebe minha cálida saudade.
"Mesmo na aridez dos desertos há flores que não chegam ao mercado, não estão à venda, mas nem por isso deixam de ser belas." 
Pétalas da alma
Quem te disse que me paralisas,
que me feres,
que me desequilibras?
Podes me magoar,
retardar o meu passo,
sujar os meus pincéis feitos
para aquarelar o mundo,
 podes espocar a bolinha de sabão
que tem como missão beijar o horizonte.
A cada passo interrompido,
aprumo a direção
As mágoas dançam comigo
na ciranda franzida da vida.
Na falta dos pincéis uso as rimas,
os versos e as pétalas deixadas
no corrimão da saudade.

Transmutação
Hoje apareceu na minha janela
um galho de flores tombado de encanto
A cor amarela teceu no chão
um tapete de primavera
e as violetas azuis tingem de saudades
 os meus cabelos trançados de brisa.
Hoje a cadeira de balanço
se encontra com a varanda vazia
que já sente que neste dia
será perfumada de jasmins.
Hoje o sabiá canta pra mim
e eu voo na magia de suas asas.
Eu planto flores para que elas encarnem nos seus olhos! Amo flores para que este Amor ande pelas ruas, pelas pontes e ache morada no coração de quem já cansou, já desacreditou...
Planto flores porque amo você!
O tempo pousa suas mãos na cor dos meus cabelos,
nos traços do meu riso, no brilho dos meus olhos.
Mas não apaga em mim, a chama que acende o peito;
a força que me toma o braço, a fé que me mostra os caminhos
- essa vontade de sonhar – Candinho&Inês

Segunda carta pedagógica
Hoje não estou à sombra de um jambeiro, mas sim diante de um pálido horizonte e ao som da sinfonia dos pássaros...
Por que nós do Projeto Semeando não participamos do processo seletivo para a Formação Continuada, organizado pela Secretaria de Educação do Estado do Amapá?
Nós, do Projeto Semeando, temos uma vida dedicada à educação. Nossos cabelos já estão grisalhos, nossos olhos precisam de óculos, mas nossa alma continua criança sonhadora.  Acreditamos numa educação da solidariedade e da delicadeza. Negamos a competição. Competição é a negação do outro. Foi e continua sendo a competição que criou e sustenta o mundo que hoje vivemos.
Ao longo desses anos, nosso tempo de trabalho foi e está sendo o nosso tempo de vida, sem separação. Trabalhar no Núcleo de Formação Continuada da SEED foi e está sendo um tempo de também cuidar e de ser cuidado, de escutar belas e tristes histórias de nossos colegas professores-professoras, de contar as nossas, de chorar e rir juntos, de partilhar nossos conhecimentos, nossos saberes e nossos sabores, de escrever livros, revistas, cartilhas, textos, de planejar e executar oficinas-Rodas de abraço com diversos e diferentes temas.
Pesquisamos e ampliamos os nossos conhecimentos sobre a teoria da complexidade, a Biologia do amor, a trans-interdisciplinaridade, educação integral como inteireza do Ser. E assim sendo, compreendemos que “somos responsáveis por aqueles que cativamos”. Portanto, foi por respeito aos princípios, da construção coletiva, da co-responsabilidade, do cuidado com o outro, do prazer de estar juntos, da ética, que não participamos. Participar seria negar os nossos sonhos, propostas, nossa compreensão de uma educação cuja centralidade seja a VIDA com fraternura, com resiliência, com ações cuidantes.
Foi por Amor que não participamos do processo seletivo. 
... “os sonhos são faróis, ardente feito sóis, que acendem a alma e brilham sobre nós.”
Macapá - Terra Tucuju, 13 de janeiro de 2017.


Deusa Maria Rodrigues Ilário
Na margem das estradas eu planto sementes de girassóis...
Cuidemos para que nossas estradas se transformem em jardins...
Botões de rosas
Quem pensou em molhar a chuva?
Quem segurou o vento
entre as mechas de teus cabelos?
Quem acordou o sono
das pétalas adormecidas?
Quem deu o nome de rosa às flores
cheirosas que desabrocharam nos teus sonhos?
O morno da tarde
molhou de chuva os meus olhos.
Nas mechas de meus cabelos de nuvens
teceram-se ousados  poemas
e as rosas ternas e cheirosas brotaram
botões de amor nos meus chinelos surrados.
Mesmo quando tudo parece sombrio um barco corta as aguas do rio, um pássaro risca alinha do horizonte, um botão de flor se abre.. Assim é a vida!
Só se for amor
Minhas sementes de amor
estão aqui, dentro do jardim
e eu não posso, delas esquecer.
 Nasci para semear...
Semeante eu sou,
semeio amor, por amor estou aqui,
semeio margaridas,
elas estão comigo desde
o primeiro sonho.
Semeio rosas...
Elas são presença nas prosas
de cada cair do sol.
Mas nesta madrugada
eu plantei orquídeas para aquecer
o frio de minhas mãos.
Em tempos de barulho e aflição eu busco outros casulos e me entrego à solidão e ao silêncio, até que passe os vendavais...
Beleza e saudade
A agua desce da fonte
se esgueirando entre as pedras,
roçando sua limpidez
sobre algum limo esquecido.
A dança dos seres coloridos
dão vida a fantasia da imaginação
Ébano dorme
e sobre seu peito nascem flores
desconhecidas, coloridas, silvestres.
Os olhos se encantam,
a alma repousa brincando com a memória
e com a saudade de um tempo
que sumiu na estrada.
Que tudo tenha a beleza do infinito, a singeleza do amanhecer e a pureza dos sonhos e das margaridas...
Outro acordar
É tão bom acordar e escutar...
O cachorro latir ao longe,
O pássaro cantar,
A flor embelezar,
O botão se abrir,
O universo sorrir.
É gosto acordar e agradecer...
A aragem que balança,
Ao infinito que canta,
A nuvem que dança,
Ao Criador que não se cansa
de cuidar de mim.
Hoje eu acordei...
Minha gratidão à vida, tão amiga,
Generosa, geradora, amorosa...
Depois da chuva que molhou a noite, a Terra amanheceu sorrindo e os açaizais tocam o rosto de Deus e embalam os anjos que se banharam no orvalho deste amanhecer... Bom dia!!!
Chuva e anjos
Nublado está o tempo...
Sem voz o vento silencia
e fala o inaudível de sua voz
Paradas estão as ramagens
o que faz da paisagem um tempo de fina cor.
Nuvens inertes,
de veste marrom se pinta o tempo
O sino toca na torre do templo
e os pássaros a tempo se alimentam
dos frutos ainda verdes.
       Olho pela janela...
E todas as aquarelas têm rosto de anjos
Molhados de tempo...
Plantemos flores nos nossos quintais e elas enfeitarão nossa alma!
  Transgressão da alma
                        Quando durmo minha alma voa,
pousa nos campos orvalhados,
nas pequenas roças de lavradores cansados,
ajuda a carregar o fardo, planta o roçado,
amola as enxadas e ara sonhos.
E entre sonhos e margaridas, apruma o mastro
e antes de voltar pra me acordar
ata sua rede nos tapiris e dorme um sono enluarado.
Minha alma criança rabisca amor
nas paredes do mundo,
medra num sopro encantado,
faz vigília pra acalmar as tempestades,
injeta carne, que cria voos enquanto volta pra casa.
Esperei chegar dezembro e plantei pra você: Rosas rosas e Rosas brancas. Mantenha-as vivas no seu coração!
Em tempos de vendavais
 Eu planto jardins para repousar meus sonhos
Cultivo Margaridas para suavizar
as feridas que se grudam na alma.
Olho para os céus
e vejo Deus na terra religando
os meus cacos, os meus pedaços
deixados pelo caminho.
Em tempos de vendavais...
 Vejo o tremular das velas ao vento,
se equilibrando, sôfregas,
frágeis, fortes...
Leves como as asas das andorinhas,
que surfam nas ondas bravas do mar.
Em tempos de festas...
Eu sou silencio, silêncio...