Olá, tenha um maravilhoso dia!
Que em todas as suas travessias seus olhos possam ver flores e suas mãos semear fé na vida
Um imenso e carinhoso abraço para você que comigo partilha esse espaço e uma historia.

Deserto
E o povo faz sua mais difícil travessia
O deserto agora faz frio,
parece longo, árido, seco
Mas sabe que, se continuar a caminhar,
pode até demorar,
mas vai avistar o horizonte perdido,
 o oásis querido, a esperança prometida
num tempo de Advento.
Passa a euforia da alegria passageira,
fica o cheiro dos arrozais
O povo que habita em mim limpa a sujeira,
e sob a sombra das laranjeiras aduba o sonho,
afinal, ainda bebemos o Advento!
O povo que sonha e espera
do verbo esperança,
move-se, renova-se e recria-se...
Que a travessia do deserto não seja infinita,
seja um grito, seja um sopro novo, uma Epifania.

Nesta noite cinzenta, quase chuvosa, eu estendo sobre o seu travesseiro flores amarelas e helicônias alaranjadas para que o seu sono seja sereno e reconfortante. Mas se não bastar tomo emprestado o lençol de estrelas do Osvaldo Montenegro só para cobrir os seus bonitos sonhos, enquanto adormeces...

Bordando jardins
E eu já não sei o que é flor
ou gota de orvalho,
o que é cascalho ou pedra preciosa,
o que é pedregulho ou relva macia.
Tudo está ligado
O beija flor beija a insana rosa libélula,
as borboletas celebram os passos
cansados da brisa morna
de uma tarde de abril.
Os cachos de flores amarelas pesam
em seu portal e tombam na direção
dos meus olhos que tudo costura
na colcha encantada da vida.

Senta aqui ao meu lado!
Vamos ajuntar as pedacinhos de lua que caíram sobre meus olhos...

Sentir o sem sentido
fragmentos da lua no chão ficou,
floreou, embelezou o velho templo
e se transformou num velho livro,
tão bonito, cheio de versos desconexos,
até parece que fui eu que escrevi.
Olho para o espaço celeste,
tudo parece inerte,
mas a lua cantou,
o computador desligou
e o sono sonhou os versos de amor
que eu fiz pra ti.

Ei, meu querido, minha querida!
Voltei! E por conta do tempo que fiquei longe trouxe pra você um jardim e uma lua bonita. Planto flores nos seus olhos e derramo na sua doce alma a beleza encantante da lua!

Eu e a lua
Vejo a lua...
Fujo da rua...
Sou tua rosa que desabrocha ao amanhecer.
Amo a lua...
Finco o pé na rua, sou tua,
Sou o orvalho das madrugadas
que deixa sobre o teu travesseiro uma flor de girassol.
Eu entro na lua
A rua ilumina-se em mim
Sou a chama da vida, meio insana, diáfana
e cândida
Sou o sonho que a lua sonha quando pensa em mim.

A vida não pede licença pra ninguém. Ela é soberana e misteriosa. Brota, ressurge em qualquer lugar. 
Gratidão à VIDA que é maior que a nossa compreensão. Surpreendente...
O cheio dos vazios
Em meio ao campo vazio pousa um sonho
O vazio precisa acontecer para caber
a utopia de ter fé na vida.
No deserto a flor do mandacaru reina em terra seca
No vazio do jardim nasce no coração da jardineira
o desejo de semear.
Vi a bela solidão dos vitrais,
vi o bater de asas almejar o voo
e vejo neste momento, o tempo se abrir,
a chuva cair
e a esperança bordar o meu peito.
No vazio, outros vazios fazem morada... 

Do meu jardim para você...
As flores fazem jardins nos meus olhos!
Corsários e gaivotas
Acendo fogueiras para esses dias de trevas
Costuro lençóis para os dias de frio
(Re)acolho das calçadas os desabrigados
e os guardo dentro do meu abraço.
Nos dias de outono planto lírios nas janelas
Nos dias de primavera, retiro os lírios das janelas
e nelas bordo o meu silêncio.
Vejo a solidão caminhar pelo cais
apreciando as ondas que quebram minhas saudades
e todos os dias abro as gaiolas
para ver voar os corsários e gaivotas
Continuo minha caminhada...


Como diz o Fernando Sabino: 
Façamos da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!
O tempo num tempo
Para os dias cinzentos risco na calçada um arco iris
Para os dias de muito calor sonho  oásis refrescantes
Para os dias de primavera fico à espera de uma folha cair
Mas quando chove vejo a vida nascer 
em todos os recôncavos. 
Portanto...
Trago sempre nos olhos um arco iris
No tempo de alegria busco a solidão
Quando tudo parece florido reorganizo o jardim 
à espera da outra primavera
e das outras estações.
Mas quando chove faço barquinhos de água
e neles acomodo os meus sonhos.
Pretendo ser o meu próprio natal! Quero me perdoar, alegrar a minha alegria, adornar os meus enfeites, olhar pra vida e embelezar as minhas feridas e cuidar das feridas dos meus irmãos e irmãs. Que as nossas cicatrizes sejam as rugas de sorrisos que já se espalham pelo meu rosto...
(Re)sonhando
Não se faz nascer sonhos
quando o chão é a razão
Sonhos se criam nas veias do coração,
sob as bênçãos da emoção e na plenitude da fé vivida
num tempo de compaixão.
Sonhos têm asas,
voam como as gaivotas em meio aos ventos do norte.
Sonhos mexem com a vastidão do universo,
suavizam a intensidade do tempo,
abrem sorrisos, rasgam e cicatrizam feridas,
franzidas na doce dura caminhada.
Sonhos bordam e costuram
a história, enchem de ternura o pensamento,
fazem dos momentos cândidas e ásperas esperas...
Bom dia amores e amoras!!!
Deixo atrás de sua janela um cacho de felicidades. Cuidado para não machucá-lo... 
Encontro
Venha até mim...
Mas venha silenciosamente
Traga no coração um amor bonito,
na alma, um buquê de flores amarelas.
Venha até mim...
Traga nos passos um sonho,
um caminho permeado de esperança
e um destino traçado com os fios da ternura.
Estou indo até você...
Levo meus cabelos tingidos de fé,
minhas mãos manchadas por um doce tempo
e meus olhos, ah, esses olhos têm o brilho
dos jardins floridos.


Se faltar jardins, haverá ao longe uma flor...
Um lindo adormecer a você que também acredita que, de uma flor pode nascer um, dois, vários jardins.
Ao longe, uma flor
É bem assim...
um cantar pra cá, um canto pra lá...
uma touceira de flores amarelas encantam
as janelas das almas que sabem olhar.
Um ventinho rasteiro
acorda o sono das pedras que
rolam entre quintais, borboletas
e sabiás que já não sabem onde
fazer seus ninhos.
"Aves" de rapina
desfilam seus arrotos de arrogância,
mas a magia da vida risca de esperança
as pedras caladas que já não enxergam
as estradas, mas ainda tem sonhos sonhar
e vontade de avistar o pau d’arco que
que floresce ao longe.
Recebendo as bençãos do rio Amazonas! 
Apreciando Deus brincar com a brisa e abençoar seus filhos e filhas em mais um entardecer,,,
Eu vejo Deus
Nesse tempo, 
eu vejo Deus andar descalço,
sentindo a lama nos pés
Nas mãos, ele traz sempre uma poronga,
um remo e uma cuia.
Na reponta, sai para pescar peixes grandes,
na preamar, despesca o cacuri
e o matapi e na volta pra casa
as suas remadas são puro cuidado
para não acordar os outros deuses-deusas,
seus filhos e filhas.
Neste pequeno jardim eu guardo o meu tesouro! Todo botão que se abre em flor sinto ser a flor que habita no meu coração. E assim, entre botões de flores e pétalas caídas enxugo minhas lágrimas, as transformo em sorrisos... 
Sem medo
Não tenhas medo de viver,
Sempre que o temor te abater
Olha para o alto, o intenso espaço te abraça
e te cobre de luz.
Não te sintas sozinho, os caminhos são habitados,
tem passarinhos, tem mar no céu,
tem céu tecido de algodão.
Olha as flores silvestres espalhadas 
na beira da estrada,
 orquídeas nas árvores mais altas
Oasis nos ventos...
 E o tempo, este, aplaude a tua passagem
Não tenhas medo... 
Tem dias que é mesmo assim... O sorriso sai das alma e vem para minhas mãos. E aí eu me deslumbro com a beleza da Vida;
Olhos da alma
Retratei os seus olhos na minha poesia
como recôncavos de delicadeza...
Mas, quão difícil é retratar um olhar
Impossível guarda-lo em baú dourado
ou no porão da gaiola do tempo
Eu guardo o seu olhar numa moldura
que penduro na parede de minha alma.
Amo os seus olhos perdidos de lua
Fitando nalguma direção
ou no vazio da solidão de não ser só.
Teu olhar atravessa a margem do rio,
pousa no vazio que enche, preenche, transborda
e acorda infinitas fantasias ou quem sabe o vazio
de uma tarde sem sol.
E a flor amarela balançou na minha direção. Pousou sua cor nas rugas de minhas mãos. Exalou beleza na brisa dos meus olhos... Um lindo dia pra você pessoa de alma florida e para as almas ainda não em flor, ofereço todo o meu jardim... 
Entre as roseiras
Entre a roseira vermelha
e a rosa amarela pousa uma borboleta festeira,
feiticeira, faceira como as mãos delicadas de uma criança.
Ao seu lado o beija flor beija, adivinha o que?
A flor da roseira vermelha
Singelas vidas, tão pequenas,
tão queridas que enchem os olhos meus de ternura.
Entre as roseiras e além das borboletas
Num planeta que se equilibra numa gota de orvalho,
 eu abro caminhos entre as chuvas
só para tocar a lua que hoje está bela...
Lá vem a primavera! 
Eu ja estou aqui esperando a boniteza embelezar minhas pétalas...
Encantante primavera
Amo ver...
o setembro surgindo entre os escombros,
ao revirar os lixões sempre surge uma flor lilás.
Setembro traz as borboletas,
elas pousam no meio das estradas
e ao ouvirem o ronco de um automóvel,
voam em belas revoadas.
Amo ver o setembrar colorir a vida,
rebrotar perfume onde o cheiro
das folhas secas cobriram
as pétalas tombadas pelo vento.
Setembro é tempo de perdão
e de abrir o coração para
a flor que desabrocha.
Chegou as manhãs de setembro trazendo os jardins de flores... Que o encanto desses jardins reguem os jardins de carne e de sonhos.
Templo de Deus
Há tempos de forte ventanias,
de tempestades aterrorizadoras, 
de tristezas que parecem infinitas,
de preocupações que parecem tirar o meu fôlego.
Sempre que isso acontece fecho os olhos,
respiro profundamente até sentir que
o meu respirar fica leve e suave.
Aproximo-me de Deus... 
A espiritualidade mãe me toma no colo,
faz cafuné nos meus turbulentos pensamentos,
acarinha o meu sentir.
Quando abro os olhos vejo que o vento
já se encarregou de transformar
o meu sofrer em bolinhas de sabão.
Minha amiga poesia ficou de voltar. Estou à espera, do verbo esperançar, como diz Paulo Freire. Enquanto espero, brinco com o silencio e ele faz meu silêncio calar. e entre a calidez da solidão e a solidão de primaveras, vivo de quimeras e de boas aventuranças...
Dança dos jardins
A primavera chega
cobrindo de pétalas este jardim
e adorna a alma de amor da jardineira.
Toca o seio profundo dos Ipês que
abandonados à sua solidão,
se penduram risonhos na varanda
do horizonte onde habita um orquidário.
E assim, a poesia gera
os primeiros passos
de uma dança circular cósmica.
A dança da VIDA!
A dança da felicidade.
Gratidão à cada amanhecer! Gratidão a você que passeia pelos meus versos, às vezes desconexos, mas feitos pra você... Gratidão à luz que cria a iluminação de almas e corações,,,
Cálices e rosas
Com cálices e rosas
tenho a intenção de lhe impregnar
do desejo de sonhar,
de cuidar,
de embelezar os recantos por onde
repousas o sagrado que habita em ti,
os caminhos por onde andas
e descansas teus pés cansados,
as encruzilhadas por onde deixas plantada
pelo menos uma flor,
num velho tronco solitário.
Quando falta flor no meu jardim eu trago o jardim pra dentro de mim. Assim  as flores brotam de minhas entranhas...
Nossas utopias
Quando você estiver lendo
Cálice e Rosas,
saiba que foi com você que eu brindei
o tempo da poesia,
foi com você que eu saboreei o prazer
e a alegria de viver a fantasia
como uma de nossas verdades.
E ainda é com você que saio
a semear rosas nos campos ensanguentados
e mortos de utopias.
Quando os caminhos parecem fugirem, eu reencontro minhas próprias pegadas e tudo o mais sorrir com o meu sorriso...Gratidão à beleza do universo! 
Tempestades e bolinhas de sabão
Há tempos de forte ventanias,
de tempestades aterrorizadoras,
de tristezas que parecem infinitas,
de preocupações que parecem 
tirar o meu fôlego.
Sempre que isso acontece fecho os olhos,
respiro profundamente até sentir que
o meu respirar fica leve e suave.
Aproximo-me de Deus...
A espiritualidade mãe me toma no colo,
faz cafuné nos meus turbulentos pensamentos,
acarinha o meu sentir.
Quando abro os olhos vejo que o vento
já se encarregou de transformar a minha dor 
em bolinhas de sabão.
Entre plantas, ferias e gente muito amada... Gratidão a todxs que estiveram comigo nesse tempo de repousar a alma.
Criando mundos
Vi o mundo efervescer
em suas próprias contradições
Vi o tempo correr como se um louco fosse.
Vi o mundo desvanecer,
vi o tempo se alimentar de flores,
vi o mundo entristecer,
vi o tempo agradecer o intenso
amor que nasceu no corrimão da esperança.
Eu vejo o mundo se recolher dentro de mim,
Vejo o mundo fugir num carrossel de silêncio
e o vejo encontrar-se nas bordas
dos meus versos.
O poema abaixo ganhei de presente de uma grande amiga, a Aldenise, minha querida Tisse. Eu nunca canso de ler. Ela sintetizou em poesia a minha historia...
A canção que a Tisse fez pra mim 
Canção da Nicarágua, quem vai tocar pra mim?
Faço inválido apelo agora.
Era composta em jus espanhol
E embalava amor e luta.
Não era de sangue que falava, mas, de causa
Não é de força que lembro, mas, de desejo.
Insana foi a desistência de ser tua
Troquei os campos de colheita por um pequeno jardim.
Embora tão difícil, caminhei firme em minha escolha que concluo necessária. Aceitar a vida quando bifurca.
Mas se puderes diz-me: - Onde está a luta?
E se não terminou, o que estou fazendo aqui?
No meu coração tenho prontos cantil e boina, corpo e alma
Que matarão a sede minha e tua.
Destino dividido à foice, que já não haveria de servir.
Tenho reservas também, munição embebida em vinho açucarado.
Um vir a ser longínquo me persegue. (Aldenise Regina Carneiro)
Alem do meu horizonte a natureza encanta; Gaia canta , dança, fala de amor...
Nosso horizonte
Esteja sempre no meu horizonte,
ele é a nossa estrada,
é o nosso nada, é o altar que abriga os sonhos
É um ponto de encontro e de abandono ao amor,
talvez, seja um simples poema.
Antes que os horizontes fiquem avermelhados
eu preciso te encontrar,
te amar bem devagar sobre o chão amarelado,
abandonados na lentidão de quem não tem pressa.
Antes que o vento leve pra longe o que restou de um puro amor,
de infinito e de abrasador, me espere nas tortas trilhas do trem,
bem além das velhas estradas.
Voltei...
Gratidão a você que cuidou deste cantinho enquanto eu estava ausente.
Abençoadx seja você...
Infinitas memorias
Quando você voltar deixe na penumbra do labirinto o claro dos teus olhos que tanto molharam de pranto os meus dias sem memória. Se bateres na minha porta, lembra que a sonoridade de tuas mãos tem que ter a ternura da rosa orvalhada. Se a porta não se abrir, não chore. É que foi tanta saudade que as minhas lembranças perderam a sua própria memória.
Lembra dos cristais que choraram quando nossos passos se distanciaram em direções diferentes? A areia macia deixou marcas em nossos pés descalços e a espuma branca de um azul indefinido subiu ao sopro do vento e virou céu de imenso amor.
Imenso amor brotou por entre as estrelas, se vestiu de lua e clareou todas as ruas que ainda moram no meu peito. Os lampiões se apagaram, os quintais fecharam suas velhas porteiras e a noite cobriu de silencio toda a solidão que anda comigo.
E se em meio a correria e a solidão eu plantar uma flor?
E se na correria eu plantar uma flor...
Paro para escutar as vozes do mundo, as vozes da vida, as vozes da alma que calma e serena acena do tempo que é puro mistério. Vozes que as vezes vêm de fora, as vezes vêm de dentro. As de fora, cantam, gritam, calam... as de dentro são puro silêncio que acolhem, que saram, que cuidam, que clamam... Quão difícil é viver num mundo barulhento. Falta silencio para se ouvir o silencio. E é no silencio que eu escuto os soluços, os sussurros, a dor marcante e o canto da água e dos pássaros.
Mesmo num mundo de buzinas, de folias, de correrias que levam a lugar nenhum, de passos que vão, de passos que voltam, que se atropelam, que se esbarram, eu não saberia detalhar o rosto de uma dessas pessoas com as quais eu tropeço no dia a dia dos caminhos.
E assim, mesmo no barulho e na multidão talvez me falte um sorriso largo, um olhar que convide o outro para ser feliz, um abraço afetuoso, uma atitude de cuidado para com aquele que anda na direção contraria a minha.
Eu não sei quando iniciou tudo isso. Se é que teve um início. Se eu fui alheia a esse começo de vidas retalhadas, quero estar partícipe no desenrolar desta teia de relações, para muitos angustiante, para outros indiferente e para tantos, natural do humano enquanto caminha nesta dimensão terrestre.
No entanto, se em meio à multidão a solidão me dilacera, vou plantar lírios na janela de cada caminhante, transformar as ruas em jardins e me transformar em sementes e semeadora das margens dos caminhos, quem sabe assim o nosso destino passa a ser um encontro entre jardineiros da vida.
É através do olhar que o mundo se faz, que eu faço o mundo...
Alimento o meu olhar todos os dias. É o olhar que possibilita-me escolher o que quero costurar à colcha de minha vida...
Linhas e agulhas
Eu amo costurar...
Hoje, costuro o meu olhar embaçado à asa dos pássaros que atiçam o seu voo.  Costuro o barulho da rua ao silencio do meu quintal, a diversidade de cantos que ouço vindo das árvores que se fazem passaredos. Costuro o medo da morte à singeleza da saudade que tanta gente deixa no meu peito. Costuro a desesperança derramada no meu país a um tempo novo que está surgindo.
Costuro a própria costurança. Costuro os mistério aos rasgões que existem entre o pensamento e a espiritualidade; a vagareza dos velhos à correria das crianças; a sabedoria do ancião a inquietude da juventude. Costuro a plenitude de um tempo que talvez nem exista à imensidão do espaço, tão largo, tão estreito, tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
Costurar é aproximar, é juntar retalhos que, mesmo coloridos, se não forem costurados a outros retalhos perdem o sentido de existirem. Cada retalho é uma totalidade quando com os outros se transforma em algo maior, belo e significativo.
Costurar requer sabedoria, paciência impaciente, liberdade para recriar a própria arte, estética, ética, amor...
Já vejo-me em outro tempo costurando a minha história, os meus sonhos, o devir. Vejo a cadeira de balanço balançando sozinha, carretéis com linhas, agulhas, fios, rosas, vinhos espalhados pelo chão. Eu já estou indo, retomar a colcha que por um tempo deixei esquecida na minha velha varanda...