BLOG DA DEUSA: PELES E PÉTALAS
Rua
bonita
E
os ipês floresceram
e
caminham pelas ruas do Oiapoque,
bem
ao norte do Brasil.
Conversam
com quem por ali passa,
se
embalam dançam, cantam
e
espalham pétalas ao vento
É
apaixonante admirá-los,
beleza
e magia enchem meus olhos.
Quanta
ternura,
candura
inebriante.
Sagrados
ipês, abençoadas mãos
que
os plantam, abençoados olhos que
se
molham de emoção ao avista-los
Eu
os vejo como seres divinos,
numa
doce estação da esperança.
Folhas
As
folhas se espalham pelo chão
ao
sabor do vento,
vento
que dança, que envolve,
que
remove,
que leva pra longe a dor da solidão.
Folhas
nascem, amadurecem,
envelhecem
e enchem as calçadas
de
maciez e encanto.
No
canto dos quintais,
elas se fazem esperança
e em meio as andanças
fazem brotar outras infindas vidas.
Folhas
no chão, coração
e
emoção se entrelaçam,
se
enlaçam com fitas outonais
e eu
fico na janela esperando
o
inverno chegar como se tudo
fosse uma doce quimera.
Passageira
Sou
passageira num tempo finito,
mas a infinitude
é o farol
da
plenitude que em mim mora.
Moro
nas madrugadas,
meu
tempo é crepuscular
Sempre
que a tarde se vai a
poesia
vem me visitar.
Eu amo
o entardecer!
Perco
o meu olhar
nas
nuances de cores,
na
prece ao sol, no silêncio
que
vai abrindo caminho
em
meio a multidão...
Sou
passageira numa estação poética
com poemas
feitos de flores,
de pedras e de
amores
Sou passageira no trem da vida.
Leveza
As
borboletas conhecem
os
meus sonhos,
pousam
na estrada cheia de marcas
de
minhas velhas sandálias
Voam
quando sentem a proximidade
de uma
viajante sonhadora.
As
borboletas vivem os meus sonhos,
sonhos
de voar,
voar,
até a noite chegar
iluminada
pela lua.
É um
amanhecer de setembro
e eu
sonho que as borboletas vivem
dentro
de mim, respiram o meu ar,
pulsam
o meu sonhar
e
levam o meu coração até você.
Ah, lindas
borboletas!
Um dia
assim
Cai
uma lagrima,
uma
folha, uma nuvem,
uma
estrela...
Sublime
é a esperança
que
faz tudo renascer,
renasce
o sonho, brota a poesia
e
bromélias se enchem de pétalas.
As fendas
desbotadas procuram
a calma
de um farol distante.
O tempo
é dinâmico,
imenso
é o espaço,
mas o
amor abraça, entrelaça
e os
afetos acham graça
da
ilusão de se achar
que
estamos sozinhos.
Mãos fazem
carinhos,
a
primavera acontece,
a
nuvem brinca com meus sentimentos
e a
nossa estrela está ali dançando
diante da incredulidade humana.
Por dentro de mim
Vivo dentro da lua,
vivo misturada com o mar,
debaixo das estrelas durmo abraçada
com lençóis salpicados da doçura do mar.
Vivo dentro de muitas pessoas,
de lembranças aquecidas,
de memórias perdidas,
vivo pra te amar.
Ainda sinto a brisa daquela tarde,
quando ao anoitecer você sumiu
no frio do horizonte.
Te espero quando o dia amanhecer.
Manhã de maio
Tudo
brilha,
as
lindas memorias solto ao vento,
o que
ontem não foi luz
guardo
no baú de velhas lembranças.
No meu
corpo se fortalece as marcas de amor.
Tudo
brilha nas diferentes cores verdes
que
vejo pela fresta
da
janela da sala.
O sol
lentamente vai secando
o
orvalho que a madrugada
deixou
nas folhas das roseiras.
E
agora vejo uma gaivota brincando
com
leveza neste céu azul
Tudo brilha...
O fluir dos sonhos
Parei
para olhar dentro dos meus olhos,
vi que
o tempo passou
que
minha alma
sangrou
tantas vezes,
mas que
ainda sou a menina
que
sonhou e lutou
por um
mundo bonito,
criado
com beleza, poesia
e pão
partilhado.
Cantei
Corsário, Coração selvagem,
Como
nossos pais, Apesar de você...
folheei
meus livros, escutei meu coração
e tenho
a compreensão de que
nada
foi em vão.
Eu
ainda sou uma sonhadora
A
nossa canção
ainda embala os sonhos meus.
Outro balanço
Amo
meu velho balanço
amarrado
com cordas distantes,
embaixo
da frondosa mangueira que
tantas
vezes escutou nossas histórias,
que amadureceu
beijos e inocências.
Aqui
choro, aqui canto,
aqui
espero você voltar do mundo das saudades,
naquela
nuvem brilhante e travessa
das
tardes de julho que tanto me encanta.
Como
demoras voltar!
Os
frutos já estão maduros,
mas a
tua partida sem nenhum adeus
ainda
dói em mim, vem cantar pra mim,
já te
espero sorrindo, vem...
Silenciar
Eu
moro dentro do meu silencio
Ele é
crepuscular
Ele é
pintado de auroras.
O
amanhecer e o entardecer
moram
numa caixa de segredos
com
laços vermelhos.
É no
silêncio que eu me escuto,
é no
silêncio que me faço versos,
nele
eu me refaço.
É no
silêncio que eu danço contigo
minha
eternidade
É no
silêncio que teço minhas saudades
e
bordo as cirandas de minha vida.
Memórias
vividas
Caminhei
por belas estradas,
floridas,
perfumadas,
tomadas
por ávidos e belos sonhos
Caminhei,
carreguei faróis,
dancei
cirandas, toquei suas mãos,
o vi
de perto, mesmo assim
te
deixei sumir sobre o brilho da lua
e
vazias promessas.
Nossa
estrela guardada a sete chaves,
Encandeceu,
fez uma fenda, saiu,
perdeu
seu brilho,
descosturou
uma história,
outras
histórias escreveu entre
estrelas
e contos de fadas.
Eu
ainda tenho aquele cristal
e guardo no baú de meus sonhos.
Flor ao vento
Sublime tempo
Necessário
semear esperança
para
que o tempo de ternura
e de bonança
não tarde chegar.
Tempo
de espera,
se
ficar olhando na janela
jogue
amor ao vento.
Tempo
de me vestir de luz,
meus
vestidos de água,
agora
estão salpicados de estradas
e
versos colhidos na canção.
Tempo
de esperar o inverno passar,
colher
o trigo,
fazer
o pão e num gesto de compaixão
compartilhar
com o irmão
que já
perdeu o sabor da esperança
e o
cheiro gostoso de amar.
Sublime
tempo...
Um amor de nome Amora
Não somos donos de nada,
nem das árvores,
nem da chuva fina,
nem do entardecer solitário,
nem da saudade que dói no peito.
Como fios de uma única teia,
estamos juntos
nessa nave chamada terra,
nesse imenso universo.
A Amora também não é nossa...
O quintal está triste ou triste estou eu?
Cadê a Amora travessa,
a Amora carinhosa que ama
um cafuné na cabeça,
que como criança corre sem cansar,
mas de repente cansou,
murchou, adoeceu...
Nossa eterna cachorrinha
nos disse adeus, se foi...
Que triste! Como dói!
Amora, agora você
está em liberdade,
correndo entre flores e amoreiras,
e esse jardim é todo seu,
minha branquinha amada!
Hoje, sua casa amanheceu escura
e o quintal é um doce silêncio...
De riscos e pérolas
Se viver é correr riscos,
me arrisco....
a me balançar sem medo de cair,
a dançar sem temer a timidez,
a cantar, sem barulhar o silêncio,
a caminhar sem deixar de escutar o uivo do vento.
Ao me espiritualizar,
deixo Deus fazer em mim morada
e consagro o sagrado sem medo de sangrar.
Me arrisco a admirar toda a divina beleza
que se põe diante de meu olhar
e ponho meu corpo a se movimentar
na dinâmica da vida,
deixando a felicidade calçar os chinelos meus.
Eterno hoje
Hoje,
deixo no seu sono
minha
imagem escrita em poemas,
para
que ninguém descubra
o
nosso segredo guardado na alma.
Hoje e
eternamente
deixo
em sua mão esquerda,
um
pergaminho e uma rosa
para
que você não se esqueça
de
quando andávamos procurando
um sol,
no escuro
da
noite sem sonhos.
Hoje
espalho sementes de girassóis
no seu
caminhar
e em
cada pegada sua
deixo
lírios amarelos
e um
beijo transbordando ternura.
Ah, que saudade!
Inverno
E
chegou o inverno,
o
barulho da chuva no telhado
me
levou para um tempo perfumado,
quando
eu catava gotas que
escorregavam
pela folha do açaizeiro
e
dizia que eram cristais.
Hoje
amanheceu chovendo,
senti o
cheiro de terra molhada,
ouvi o
balançar das folhas das mangueiras
e era
só gratidão.
O
cheiro do jasmim invadiu meus lençóis,
levantei
e apreciei o céu
em sua
cor cinza pálida
e ouvi
o respirar da terra se
embebedando
de vida.
E ainda chove...
Bem querer
Em tempos
de nostalgias,
olho
pela fenda da janela e todo o horizonte
vem me
abraçar,
o
infinito toca minhas mãos com ternura,
os jardins
derramam essências
cheirosas
nos meus caminhos
e as
andorinhas comigo
compartilham
asas e voos.
Em tempos
de nostalgias
o
universo me abençoa,
a
poesia me afaga
e a
espiritualidade de luz me acalma.
Assim,
continuo a caminhada,
a
estrada recebe as sementes
que eu
planto com amor.
Em tempos
de nostalgias,
É possível
viver com alegria,
com magia e com bem querer.
Uma encruzilhada
O
orvalho molhou
minha
réstia de sono
O
cheiro de terra invadiu as sandálias
do
tempo e a estrada caminhou
por
entre meus versos.
Na
esquina eu parei,
confusas
encruzilhadas
Meu
vestido de chita,
meio
encardido e quase rasgado
se
bordou de Dálias
e
begônias azuladas
Tempo,
estrada, desencontros
acarinham os dedos meus...
Gotas de
mim
Um
pouco de mim é carne,
outro
pouco água em abundância,
sou
poesia pela metade,
sou
tristeza em fins de tarde.
Sou
terra, sou mar,
sou
marco entre vida e morte,
sou
farol em minha luz,
sou
luz nas trevas de meus olhos.
Sou
fenda que vê longe,
sou o
longe que traz o horizonte
Sou
assim, finitude e eternidade
Sou candura e pecado.
De
onde eu vim
Minha
ancestralidade
tem
cheiro, tem cor, tem história,
tem memoria,
tem som de
passos
cansados, tem olhar de fé,
tem
vestido rasgado, costurado
com os
fios do tempo.
Minha
ancestralidade tem inteireza,
vida compartilhada
com
tantas outras vidas,
tem
simplicidade, tem complexidade,
tem
cheiro de rio,
tem
sabor de buriti,
gostosura
de açaí
e a beleza da flor do mururé.
Minha
ancestralidade caminha
com os
meus pés
e os
meus olhos se perdem
em vivas lembranças.
Na esquina do silêncio
Aqui
tudo é silêncio,
tudo
respira, tudo fala,
tudo
sonha
Na
correnteza do rio tudo dança,
leva e
traz harmonia e paz.
Estou
aqui cercada de brisa,
cercada
de um silêncio que canta
À
sombra dos açaizais
eu
refaço os meus laços
e a
ternura me abraça
E o
rio corre inexoravelmente,
contando
suas histórias,
encantando
memórias
e
coexistindo na inteireza da vida.
Eu amo
o silêncio...
O voo da
gaivota
Eu
vim...
Carreguei
no coração a imagem
do seu
lindo rostinho
Vim e
trouxe na alma
a
saudade da brisa do rio amado.
A
concha planetária me abraçou
e a
inteireza coloriu os meus olhos.
Agua
vida, céu mistério,
terra
fecunda, mãe amada
e a
gaivota circunda o vento.
Já de
longe vejo minha gente,
cansaço
e esperança,
angustia
e plenitude
Vejo Deus no arco íris encantado.





















