Manhã de maio
Tudo
brilha,
as
lindas memorias solto ao vento,
o que
ontem não foi luz
guardo
no baú de velhas lembranças.
No meu
corpo se fortalece as marcas de amor.
Tudo
brilha nas diferentes cores verdes
que
vejo pela fresta
da
janela da sala.
O sol
lentamente vai secando
o
orvalho que a madrugada
deixou
nas folhas das roseiras.
E
agora vejo uma gaivota brincando
com
leveza neste céu azul
Tudo brilha...
O fluir dos sonhos
Parei
para olhar dentro dos meus olhos,
vi que
o tempo passou
que
minha alma
sangrou
tantas vezes,
mas que
ainda sou a menina
que
sonhou e lutou
por um
mundo bonito,
criado
com beleza, poesia
e pão
partilhado.
Cantei
Corsário, Coração selvagem,
Como
nossos pais, Apesar de você...
folheei
meus livros, escutei meu coração
e tenho
a compreensão de que
nada
foi em vão.
Eu
ainda sou uma sonhadora
A
nossa canção
ainda embala os sonhos meus.
Outro balanço
Amo
meu velho balanço
amarrado
com cordas distantes,
embaixo
da frondosa mangueira que
tantas
vezes escutou nossas histórias,
que amadureceu
beijos e inocências.
Aqui
choro, aqui canto,
aqui
espero você voltar do mundo das saudades,
naquela
nuvem brilhante e travessa
das
tardes de julho que tanto me encanta.
Como
demoras voltar!
Os
frutos já estão maduros,
mas a
tua partida sem nenhum adeus
ainda
dói em mim, vem cantar pra mim,
já te
espero sorrindo, vem...
Silenciar
Eu
moro dentro do meu silencio
Ele é
crepuscular
Ele é
pintado de auroras.
O
amanhecer e o entardecer
moram
numa caixa de segredos
com
laços vermelhos.
É no
silêncio que eu me escuto,
é no
silêncio que me faço versos,
nele
eu me refaço.
É no
silêncio que eu danço contigo
minha
eternidade
É no
silêncio que teço minhas saudades
e
bordo as cirandas de minha vida.
Memórias
vividas
Caminhei
por belas estradas,
floridas,
perfumadas,
tomadas
por ávidos e belos sonhos
Caminhei,
carreguei faróis,
dancei
cirandas, toquei suas mãos,
o vi
de perto, mesmo assim
te
deixei sumir sobre o brilho da lua
e
vazias promessas.
Nossa
estrela guardada a sete chaves,
Encandeceu,
fez uma fenda, saiu,
perdeu
seu brilho,
descosturou
uma história,
outras
histórias escreveu entre
estrelas
e contos de fadas.
Eu
ainda tenho aquele cristal
e guardo no baú de meus sonhos.
Flor ao vento
Sublime tempo
Necessário
semear esperança
para
que o tempo de ternura
e de bonança
não tarde chegar.
Tempo
de espera,
se
ficar olhando na janela
jogue
amor ao vento.
Tempo
de me vestir de luz,
meus
vestidos de água,
agora
estão salpicados de estradas
e
versos colhidos na canção.
Tempo
de esperar o inverno passar,
colher
o trigo,
fazer
o pão e num gesto de compaixão
compartilhar
com o irmão
que já
perdeu o sabor da esperança
e o
cheiro gostoso de amar.
Sublime
tempo...
Um amor de nome Amora
Não somos donos de nada,
nem das árvores,
nem da chuva fina,
nem do entardecer solitário,
nem da saudade que dói no peito.
Como fios de uma única teia,
estamos juntos
nessa nave chamada terra,
nesse imenso universo.
A Amora também não é nossa...
O quintal está triste ou triste estou eu?
Cadê a Amora travessa,
a Amora carinhosa que ama
um cafuné na cabeça,
que como criança corre sem cansar,
mas de repente cansou,
murchou, adoeceu...
Nossa eterna cachorrinha
nos disse adeus, se foi...
Que triste! Como dói!
Amora, agora você
está em liberdade,
correndo entre flores e amoreiras,
e esse jardim é todo seu,
minha branquinha amada!
Hoje, sua casa amanheceu escura
e o quintal é um doce silêncio...
De riscos e pérolas
Se viver é correr riscos,
me arrisco....
a me balançar sem medo de cair,
a dançar sem temer a timidez,
a cantar, sem barulhar o silêncio,
a caminhar sem deixar de escutar o uivo do vento.
Ao me espiritualizar,
deixo Deus fazer em mim morada
e consagro o sagrado sem medo de sangrar.
Me arrisco a admirar toda a divina beleza
que se põe diante de meu olhar
e ponho meu corpo a se movimentar
na dinâmica da vida,
deixando a felicidade calçar os chinelos meus.
Eterno hoje
Hoje,
deixo no seu sono
minha
imagem escrita em poemas,
para
que ninguém descubra
o
nosso segredo guardado na alma.
Hoje e
eternamente
deixo
em sua mão esquerda,
um
pergaminho e uma rosa
para
que você não se esqueça
de
quando andávamos procurando
um sol,
no escuro
da
noite sem sonhos.
Hoje
espalho sementes de girassóis
no seu
caminhar
e em
cada pegada sua
deixo
lírios amarelos
e um
beijo transbordando ternura.
Ah, que saudade!








