Um amor de nome Amora
Não somos donos de nada,
nem das árvores,
nem da chuva fina,
nem do entardecer solitário,
nem da saudade que dói no peito.
Como fios de uma única teia,
estamos juntos
nessa nave chamada terra,
nesse imenso universo.
A Amora também não é nossa...
O quintal está triste ou triste estou eu?
Cadê a Amora travessa,
a Amora carinhosa que ama
um cafuné na cabeça,
que como criança corre sem cansar,
mas de repente cansou,
murchou, adoeceu...
Nossa eterna cachorrinha
nos disse adeus, se foi...
Que triste! Como dói!
Amora, agora você
está em liberdade,
correndo entre flores e amoreiras,
e esse jardim é todo seu,
minha branquinha amada!
Hoje, sua casa amanheceu escura
e o quintal é um doce silêncio...
De riscos e pérolas
Se viver é correr riscos,
me arrisco....
a me balançar sem medo de cair,
a dançar sem temer a timidez,
a cantar, sem barulhar o silêncio,
a caminhar sem deixar de escutar o uivo do vento.
Ao me espiritualizar,
deixo Deus fazer em mim morada
e consagro o sagrado sem medo de sangrar.
Me arrisco a admirar toda a divina beleza
que se põe diante de meu olhar
e ponho meu corpo a se movimentar
na dinâmica da vida,
deixando a felicidade calçar os chinelos meus.

