Inverno
E
chegou o inverno,
o
barulho da chuva no telhado
me
levou para um tempo perfumado,
quando
eu catava gotas que
escorregavam
pela folha do açaizeiro
e
dizia que eram cristais.
Hoje
amanheceu chovendo,
senti o
cheiro de terra molhada,
ouvi o
balançar das folhas das mangueiras
e era
só gratidão.
O
cheiro do jasmim invadiu meus lençóis,
levantei
e apreciei o céu
em sua
cor cinza pálida
e ouvi
o respirar da terra se
embebedando
de vida.
E ainda chove...
Bem querer
Em tempos
de nostalgias,
olho
pela fenda da janela e todo o horizonte
vem me
abraçar,
o
infinito toca minhas mãos com ternura,
os jardins
derramam essências
cheirosas
nos meus caminhos
e as
andorinhas comigo
compartilham
asas e voos.
Em tempos
de nostalgias
o
universo me abençoa,
a
poesia me afaga
e a
espiritualidade de luz me acalma.
Assim,
continuo a caminhada,
a
estrada recebe as sementes
que eu
planto com amor.
Em tempos
de nostalgias,
É possível
viver com alegria,
com magia e com bem querer.
Uma encruzilhada
O
orvalho molhou
minha
réstia de sono
O
cheiro de terra invadiu as sandálias
do
tempo e a estrada caminhou
por
entre meus versos.
Na
esquina eu parei,
confusas
encruzilhadas
Meu
vestido de chita,
meio
encardido e quase rasgado
se
bordou de Dálias
e
begônias azuladas
Tempo,
estrada, desencontros
acarinham os dedos meus...


