Viagem

Viajo amanhã...

Vou beijar o meu amor

enquanto seus olhos de aura  precisar

Aqui deixo beijos rabiscados na janela

e na varanda, deixo um broto

de girassol para o Gael cuidar.

Leonardo fica estudando

e alimentando de carinho o nosso jardim.

Viajo fazendo pontes,

um jeito tucuju aqui,

um olho de boto ali

e assim viro flor de mururé.

Na mala carrego a fé que me guia,

o abraço apertado,

e uma imensa saudade.

Quero um tempo sem pressa,

como a brisa de um feliz dia,

pois o doce do amor

é uma magia  que se abriga em minha alma.

Viajo amanhã...


Minha história é assim... barcos, portos, velhos trapiches, rios e muita água. Eu sou Amazônia!! Uma feliz tarde para você que visita este simples blog. Imensa alegria você me proporciona. Gratião!
 

Um barco

O barco ainda me espera no

lugar onde nos vimos

pela última vez, naquela tarde triste,

coberta pela neblina

e pela nostálgica chuva fininha

que caia, como se adivinhasse

que ali começava um tempo

de solidão e saudades.

O trapiche ainda é o mesmo, mas

o porto mudou de lugar, se encantou

Ficou triste pelo seu adeus

e em suas águas

eternizou minhas saudades.

Hoje o avistei de longe,

vi um pássaro voando, o velho trapiche

se reinventando e eu cheia

de amor pra compartilhar

A delicadeza me fez sentir que

o eterno mora dentro de mim. 


Nao tenho borboleta, mas tenho uma garça em voo sobre as vitoria régias do Mangal das Garças em Belém. Gratidão Caio Rodrigues, pela bela imagem.

Borboleta

Ter coragem de voar

é trazer no peito luz e ousadia

A rebeldia que grita e sussurra,

se veste de plumas e de leveza,

fazendo a alma feito borboleta,

pousar numa estrada de flores.

Ousar colorir as estradas

com as belas cores da jornada

é florir o caminhar da viajante que,

neste instante, se exala de amor.

No voar da borboleta há infinita magia

que faz a sonhadora se embebedar

de orvalho que a madrugada deixou,

pincelando a própria alma

   na calma de seus voos.  


Em cada pétala um segredo, em cada segredo uma saudade e nas saudades, imensos amores. Gratidão, Francisca Maciel, por lembrar que amo os ipês. 

Rua bonita

E os ipês floresceram

e caminham pelas ruas do Oiapoque,

bem ao norte do Brasil.

Conversam com quem por ali passa,

se embalam dançam, cantam

e espalham pétalas ao vento

É apaixonante admirá-los,

beleza e magia enchem meus olhos.

Quanta ternura,

candura inebriante.

Sagrados ipês, abençoadas mãos

que os plantam, abençoados olhos que

se molham de emoção ao avista-los

Eu os vejo como seres divinos,

numa doce estação da esperança.



 E a terra ganha um mágico tapete! folhas, folhas, folhas... uma gostosura caminhar descalça sobre elas. Bençãos outonais para você que comigo caminha sobre as folhas secas.

Folhas

As folhas se espalham pelo chão

ao sabor do vento,

vento que dança, que envolve,

que remove,

que leva pra longe a dor da solidão.

Folhas nascem, amadurecem,

envelhecem e enchem as calçadas

de maciez e encanto.

No canto dos quintais,

elas se fazem esperança

 e em meio as andanças

fazem brotar outras infindas vidas.

Folhas no chão, coração

e emoção se entrelaçam,

se enlaçam com fitas outonais

e eu fico na janela esperando

o inverno chegar como se tudo

fosse uma doce quimera. 

Mas um dia que me diz adeus! Todos os sentimentos se misturam, nostalgia, alegria, gratidão, saudades...
 

Passageira

Sou passageira num tempo finito,

mas a infinitude é o farol

da plenitude que em mim mora.

Moro nas madrugadas,

meu tempo é crepuscular

Sempre que a tarde se vai a

poesia vem me visitar.

Eu amo o entardecer!

Perco o meu olhar

nas nuances de cores,

na prece ao sol, no silêncio

que vai abrindo caminho

em meio a multidão...

Sou passageira numa estação poética

com poemas feitos de flores,

de pedras e de amores

Sou passageira no trem da vida. 

Minha mandala de acolher borboletas. Numa tarde de junho, em algum lugar desse planeta eu acolhi borboletas, pesquei alegria, utopias e o infinito que mora nos seus olhos.
 

 

Leveza

As borboletas conhecem

os meus sonhos,

pousam na estrada cheia de marcas

de minhas velhas sandálias

Voam quando sentem a proximidade

de uma viajante sonhadora.

As borboletas vivem os meus sonhos,

sonhos de voar,

voar, até a noite chegar

iluminada pela lua.

É um amanhecer de setembro

e eu sonho que as borboletas vivem

dentro de mim, respiram o meu ar,

pulsam o meu sonhar

e levam o meu coração até você.

Ah, lindas borboletas!