Raizes

Minha alma habita na floresta,

entre folhas secas,

riachos e cantoria de pássaros.

Minha voz se recria como se farfalhar fosse

e meu olhar tem o encanto da curupira.

Sou um pouco bem te vi,

sou o fruto do açaí

e nas noites de lua colho

as flores da bacabeira.

Sou arteira na arte de brincar,

de coletar estrelas nas noites escuras,

de sonhar e de ser feliz.

Minha alma habita os igapós,

lugar que com minha avó brincava

de pescar sonhos

e de madrugar sob o frio do orvalho. 

Sou assim, vestida de rio, calçada de verde, céu e terra correm por minhas veias e tudo em minha volta é sempre novo e belo. Gratidão Pachamama do Amor!
 

 

Assim

Eu sou assim,

uma parte de mim é borboleta,

outra parte samaumeira,

mãe da floresta, Amazônia.

Sou imaginação que dança,

ternura que não se cansa

de seguir o fluir do rio.

Sou água, sou terra,

sou um punhado de quimera,

sou rebeldia e liberdade.

Eu sou assim,

rio que corre para o mar,

leveza de lua que surge além do olhar

Sou orvalho da madrugada

que não se cala, mesmo

 que o sol insista em ficar

Sou espinho e botão de flor.

Na janela para o Rio Araguari a poesia acenou pra mim. Eu não resisti e me banhei em suas mornas águas. Que lindo é você, Araguari sem fim de belezas.
 

Por que ser poeta?

Poesia está na alma, na carne,

na calma, no silêncio, na solidão

de caminhos diferentes

e complementares.

Poesia está na pele,

nos jardins de carne, nas andanças,

na flor que surge

de dentro de um muro,

num caminho pra lua.

Poesia tem raiz, nasce em terras áridas,

entre pedregulhos

É um soluço que explode no peito,

é um sarau entre amigos que se amam.

Por que ser poeta?

Porque sou aprendente de belezas,

de orações que religam sonhos,

de baús encantados cheinhos de estrelas.

Porque sou criança,

cuja brincadeira é juntar palavras,

imaginar mundos,

voar em horizontes

e colher sorrisos e amores. 

Minha esperança é como essa Araucária: imensa, bela e plena! afetuoso abraço a você que comigo compartilha um tempo de Paz!

 

 

Tempo de luz

Eles voltaram, seus olhos verdes

cintilam fumaça como se incendiários fossem

Trouxeram na alma o gosto de sangue,

na mala pacotes de descaso e arrogância e

no olhar, a frieza dos tristes destinos.

Apagaram as luzes da praça,

espalharam maldade

nas cordas dos violões que

dedilhavam canções e rebeldia.

Eles querem ficar,

mas haverá de nascer no coração

de quem ama um novo esperançar,

um brotar novo de querer ser feliz.

Eles não vão ficar

Vai chover luz, ternura

e uma onda de amor encharcará

de clamor a alma do povo.

Num fim de tarde, diante da beleza de nosso rio Amazonas, lindo, doce e bravio. Paz e bem para você, neste entardecer!

O vento levou

Se você sentir saudades,

se lembre de nossas pegadas

deixadas na praia,

das conchas que eu recolhi,

foram tantas e que eu carinhosamente

deixei no seu jardim

para que nascesse pérolas.

Se você sentir saudades,

se lembre das madrugadas,

do orvalho, do silêncio

e daquele beijo serenado que

o vento levou pra ti.

Se você sentir saudades,

se lembre de nossa canção,

do meu cheiro e de quando,

deitados no chão contávamos

as estrelas e viajávamos 

no tempo da ilusão. 

As viagens... A alma se engrandece e o coração é só gratidão! Um fraterno abraço para você que passeia em "minhas" palavras.
 

Viagem

Viajo amanhã...

Vou beijar o meu amor

enquanto seus olhos de aura  precisar

Aqui deixo beijos rabiscados na janela

e na varanda, deixo um broto

de girassol para o Gael cuidar.

Leonardo fica estudando

e alimentando de carinho o nosso jardim.

Viajo fazendo pontes,

um jeito tucuju aqui,

um olho de boto ali

e assim viro flor de mururé.

Na mala carrego a fé que me guia,

o abraço apertado,

e uma imensa saudade.

Quero um tempo sem pressa,

como a brisa de um feliz dia,

pois o doce do amor

é uma magia  que se abriga em minha alma.

Viajo amanhã...


Minha história é assim... barcos, portos, velhos trapiches, rios e muita água. Eu sou Amazônia!! Uma feliz tarde para você que visita este simples blog. Imensa alegria você me proporciona. Gratião!
 

Um barco

O barco ainda me espera no

lugar onde nos vimos

pela última vez, naquela tarde triste,

coberta pela neblina

e pela nostálgica chuva fininha

que caia, como se adivinhasse

que ali começava um tempo

de solidão e saudades.

O trapiche ainda é o mesmo, mas

o porto mudou de lugar, se encantou

Ficou triste pelo seu adeus

e em suas águas

eternizou minhas saudades.

Hoje o avistei de longe,

vi um pássaro voando, o velho trapiche

se reinventando e eu cheia

de amor pra compartilhar

A delicadeza me fez sentir que

o eterno mora dentro de mim. 


Nao tenho borboleta, mas tenho uma garça em voo sobre as vitoria régias do Mangal das Garças em Belém. Gratidão Caio Rodrigues, pela bela imagem.

Borboleta

Ter coragem de voar

é trazer no peito luz e ousadia

A rebeldia que grita e sussurra,

se veste de plumas e de leveza,

fazendo a alma feito borboleta,

pousar numa estrada de flores.

Ousar colorir as estradas

com as belas cores da jornada

é florir o caminhar da viajante que,

neste instante, se exala de amor.

No voar da borboleta há infinita magia

que faz a sonhadora se embebedar

de orvalho que a madrugada deixou,

pincelando a própria alma

   na calma de seus voos.  


Em cada pétala um segredo, em cada segredo uma saudade e nas saudades, imensos amores. Gratidão, Francisca Maciel, por lembrar que amo os ipês. 

Rua bonita

E os ipês floresceram

e caminham pelas ruas do Oiapoque,

bem ao norte do Brasil.

Conversam com quem por ali passa,

se embalam dançam, cantam

e espalham pétalas ao vento

É apaixonante admirá-los,

beleza e magia enchem meus olhos.

Quanta ternura,

candura inebriante.

Sagrados ipês, abençoadas mãos

que os plantam, abençoados olhos que

se molham de emoção ao avista-los

Eu os vejo como seres divinos,

numa doce estação da esperança.



 E a terra ganha um mágico tapete! folhas, folhas, folhas... uma gostosura caminhar descalça sobre elas. Bençãos outonais para você que comigo caminha sobre as folhas secas.

Folhas

As folhas se espalham pelo chão

ao sabor do vento,

vento que dança, que envolve,

que remove,

que leva pra longe a dor da solidão.

Folhas nascem, amadurecem,

envelhecem e enchem as calçadas

de maciez e encanto.

No canto dos quintais,

elas se fazem esperança

 e em meio as andanças

fazem brotar outras infindas vidas.

Folhas no chão, coração

e emoção se entrelaçam,

se enlaçam com fitas outonais

e eu fico na janela esperando

o inverno chegar como se tudo

fosse uma doce quimera. 

Mas um dia que me diz adeus! Todos os sentimentos se misturam, nostalgia, alegria, gratidão, saudades...
 

Passageira

Sou passageira num tempo finito,

mas a infinitude é o farol

da plenitude que em mim mora.

Moro nas madrugadas,

meu tempo é crepuscular

Sempre que a tarde se vai a

poesia vem me visitar.

Eu amo o entardecer!

Perco o meu olhar

nas nuances de cores,

na prece ao sol, no silêncio

que vai abrindo caminho

em meio a multidão...

Sou passageira numa estação poética

com poemas feitos de flores,

de pedras e de amores

Sou passageira no trem da vida. 

Minha mandala de acolher borboletas. Numa tarde de junho, em algum lugar desse planeta eu acolhi borboletas, pesquei alegria, utopias e o infinito que mora nos seus olhos.
 

 

Leveza

As borboletas conhecem

os meus sonhos,

pousam na estrada cheia de marcas

de minhas velhas sandálias

Voam quando sentem a proximidade

de uma viajante sonhadora.

As borboletas vivem os meus sonhos,

sonhos de voar,

voar, até a noite chegar

iluminada pela lua.

É um amanhecer de setembro

e eu sonho que as borboletas vivem

dentro de mim, respiram o meu ar,

pulsam o meu sonhar

e levam o meu coração até você.

Ah, lindas borboletas!

Eu amo o creúusculo! o horizonte se adorna em diferentes cores. A saudade aperta no peito e o pranto é de felicidade. E assim os dias vão passando... Gratidão Leila Sousa Rodrigues, pela linda imagem!
 

Um dia assim

Cai uma lagrima,

uma folha, uma nuvem,

uma estrela...

Sublime é a esperança

que faz tudo renascer,

renasce o sonho, brota a poesia

e bromélias se enchem de pétalas.

As fendas desbotadas procuram

a calma de um farol distante.

O tempo é dinâmico,

imenso é o espaço,

mas o amor abraça, entrelaça

e os afetos acham graça

da ilusão de se achar

que estamos sozinhos.

Mãos fazem carinhos,

a primavera acontece,

a nuvem brinca com meus sentimentos

e a nossa estrela está ali dançando

diante da incredulidade humana. 

O crepusculo anda por dentro de mim. Meus pés calçados de areia celebram o entardecer e o meu coração voa, voa a procura das gaivotas sonhadoras.
 

Por dentro de mim

Vivo dentro da lua,

vivo misturada com o mar,

debaixo das estrelas durmo abraçada

com lençóis salpicados da doçura do mar.

Vivo dentro de muitas pessoas,

de lembranças aquecidas,

de memórias perdidas,

vivo pra te amar.

Ainda sinto a brisa daquela tarde,

quando ao anoitecer você sumiu

no frio do horizonte.

Te espero quando o dia amanhecer.

Minhas tristezas molhei no mar, viraram espumas viajantes.  Abri um sorriso e voei com o vento. Gratidão à beleza de apreciar a plenitude da Vida! paz e bem a você que viaja comigo por esse infinito!
 

Manhã de maio 

Tudo brilha,

as lindas memorias solto ao vento,

o que ontem não foi luz

guardo no baú de velhas lembranças.

No meu corpo se fortalece as marcas de amor.

Tudo brilha nas diferentes cores verdes

que vejo pela fresta

da janela da sala.

O sol lentamente vai secando

o orvalho que a madrugada

deixou nas folhas das roseiras.

E agora vejo uma gaivota brincando

com leveza neste céu azul

Tudo brilha... 

Sonhar é voar, é navegar, é trazer o horizonte para o infinito do olhar... Paz e bem!



 

O fluir dos sonhos

Parei para olhar dentro dos meus olhos,

vi que o tempo passou

que minha alma

sangrou tantas vezes,

mas que ainda sou a menina

que sonhou e lutou

por um mundo bonito,

criado com beleza, poesia

e pão partilhado.

Cantei Corsário, Coração selvagem,

Como nossos pais, Apesar de você...

folheei meus livros, escutei meu coração

e tenho a compreensão de que

nada foi em vão.

Eu ainda sou uma sonhadora

A nossa canção

ainda embala os sonhos meus. 


Vivenciar com serenidade o que a vida tem a me oferecer é a minha lição de todos os dias. Acolho as gostosuras e as dores da caminhada sentindo que as divindades comigo caminham... Carinhoso abraço a você que comigo compartilha esse imenso universo.

 

Outro balanço

Amo meu velho balanço

amarrado com cordas distantes,

embaixo da frondosa mangueira que

tantas vezes escutou nossas histórias,

que amadureceu beijos e inocências.

Aqui choro, aqui canto,

aqui espero você voltar do mundo das saudades,

naquela nuvem brilhante e travessa

das tardes de julho que tanto me encanta.

Como demoras voltar!

Os frutos já estão maduros,

mas a tua partida sem nenhum adeus

ainda dói em mim, vem cantar pra mim,

já te espero sorrindo, vem...

Na leveza do tempo corre a verve da vida! É palidez, é silêncio gerando esperança. alimentando almas, alimentando sonhos.

 

 

Silenciar

Eu moro dentro do meu silencio

Ele é crepuscular

Ele é pintado de auroras.

O amanhecer e o entardecer

moram numa caixa de segredos

com laços vermelhos.

É no silêncio que eu me escuto,

é no silêncio que me faço versos,

nele eu me refaço.

É no silêncio que eu danço contigo

minha eternidade

É no silêncio que teço minhas saudades

e bordo as cirandas de minha vida.


O entardecer me presenteia com uma tela encantada. Minha amada Amazônia. Sagrada tarde, sagrado universo. Gratidão aos deuses e deusas da agua.

Memórias vividas

Caminhei por belas estradas,

floridas, perfumadas,

tomadas por ávidos e belos sonhos

Caminhei, carreguei faróis,

dancei cirandas, toquei suas mãos,

o vi de perto, mesmo assim

te deixei sumir sobre o brilho da lua

e vazias promessas.

Nossa estrela guardada a sete chaves,

Encandeceu, fez uma fenda, saiu,

perdeu seu brilho,

descosturou uma história,

outras histórias escreveu entre

estrelas e contos de fadas.

Eu ainda tenho aquele cristal

e guardo no baú de meus sonhos. 

Foi assim, a noite chegando, o horizonte se pinta de diversas cores e o coração se aconchega no portal chamado saudades...
 

 

Flor ao vento 

Sublime tempo

Necessário semear esperança

para que o tempo de ternura

e de bonança não tarde chegar.

Tempo de espera,

se ficar olhando na janela

jogue amor ao vento.

Tempo de me vestir de luz,

meus vestidos de água,

agora estão salpicados de estradas

e versos colhidos na canção.

Tempo de esperar o inverno passar,

colher o trigo,

fazer o pão e num gesto de compaixão

compartilhar com o irmão

que já perdeu o sabor da esperança

e o cheiro gostoso de amar.

Sublime tempo...